terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Homenagens a Mandela reunirão o maior número de chefes de Estado da história
De acordo com o governo da África do Sul, mais de 90 chefes de Estado já confirmaram presença. A homenagem será prestada no Estádio Soccer City, palco da final da Copa do Mundo de 2010 e da última aparição pública de Mandela. O estádio tem capacidade para cerca de 80 mil pessoas. Os presidentes Barack Obama e Dilma Rousseff falarão na despedida oficial


19h05
O ministro do Esporte defendeu a aplicação do Estatuto do Torcedor, prisões de torcedores violentos e punições mais severas para coibir episódios de violência nos estádios do país, como o ocorrido nesse domingo (8) durante a partida entre o Vasco da Gama e o Atlético Paranaense, em Joinville (SC)
 
Organizada culpa autoridades
PM autorizou ingressos para o Vasco
MP já apontava irregularidades
Dilma condena violência
Torcida do Atlético previu briga
20h01
Mais de 200 famílias estão desabrigadas no município, atingido por um temporal no sábado (7). Diante da situação, o prefeito Antônio Mário Lima decretou estado de emergência. A área antiga da cidade, onde fica a maior parte do comércio, prefeitura e secretarias, foi totalmente destruída. O prefeito está entre os desabrigados
18h30
A venda fica proibida em todo o Brasil. Desde o começo do ano, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) faz campanha contra o uso de andadores por crianças que estão aprendendo a andar. Segundo a SBP, há pelo menos um caso de traumatismo para cada duas a três crianças que usam o andador e, em um terço dessas ocorrências, surgem lesões graves
17h03
No país, 881,2 mil segurados facultativos, ou seja, trabalha- dores autônomos ou donas de casa, que não são obrigados a contribuir para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), optaram pela previdência pública para garantir a aposentadoria aos 60 anos, no caso das mulheres, e 65 anos no dos homens
 
Ferramenta permite consultar FGTS
15h58
Kátia Rabello, ex-presidenta do Banco Rural, e Simone Vasconcelos, ex-funcionária do publicitário Marcos Valério, foram transferidas para a capital mineira. Condenadas no mensalão, elas estavam presas desde o 16 de novembro no Distrito Federal, após terem as prisões decretadas pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa
 
Janot: laudo indicará tratamento
Hage: símbolos continuam soltos
6h34
Na sessão de hoje, serão examinados três vetos da presidenta Dilma Rousseff. Cada item será votado separadamente. Entre eles, está o veto a um trecho do Programa Mais Médicos, referente ao parágrafo que proibia os profissionais estrangeiros do programa de exercerem a profissão fora do projeto
19h19
Na segunda etapa de venda dos ingressos para o Mundial, que começou no domingo (8), quase 1,2 milhão de entradas foram solicitados. A adesão dos brasileiros é grande: eles fizeram 86% dos pedidos, seguidos pelos torcedores dos Estados Unidos, da Argentina, do Chile e da Colômbia, segundo a Fifa
20h07
Nesta terça-feira (10), a Comissão Municipal da Verdade de São Paulo vai divulgar um documento de 29 páginas elencando “90 indícios, evidências, provas, testemunhos, circunstâncias, contradições, controvérsias e questionamentos” que a fizeram concluir que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado durante viagem de carro
16h40
O pré-preenchimento da Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física será implementado por etapas. Em 2014, somente os contribuintes com certificado digital, que somam 1 milhão, poderão ter acesso a essa funcionalidade. O número equivale a apenas 3,8% dos 26 milhões de pessoas físicas que entregaram a declaração neste ano
15h52
A multa foi aplicada devido aos atrasos de voos registrados na sexta (6) e no sábado (7), depois do temporal que atingiu o Sudeste. De acordo com o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Marcelo Guaranys, a punição pode ultrapassar R$ 5 milhões
17h26
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 44% dos entrevistados tiveram melhora na classe social, em relação à classe que pertenciam na infância; 43% ficaram na mesma classe social; e 10% disseram ter piorado


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Israel “quase em pânico” (e não é metáfora) (30/8/2013, Conflicts Forum, “Comentário semanal...

Enviado por Sergio Caldiere

Da série “O que diz Israel, quando fala prô seu próprio público”:

30/8/2013, Conflicts Forum, “Comentário semanal” [excerto]http://www.conflictsforum.org/2013/conflicts-forums-weekly-comment-16-%E2%80%93-23-august-2013/

O evento mais significativo dessa semana foi, talvez, a publicação de um artigo em Israel. Foi escrito pelo principal analista militar israelense, Alex Fishman, e publicado em hebraico no jornal Yedioth Ahronoth no domingo. Foi atentamente lido na região e nos EUA,[1] sobretudo porque Fishman, muito respeitado, é o veterano correspondente militar desse jornal de grande circulação em Israel, conhecido pela qualidade de suas fontes.

Fishman diz, sem meias palavras, que Israel entrou numa situação de “emergência diplomática”: do primeiro-ministro para baixo, Israel combate “batalha diplomática desesperada” em Washington para desconstruir o antagonismo dos EUA contra Sisi e “os generais”. Essa caracterização de quase pânico, vinda de Fishman, não é metáfora nem “licença poética”. Vê-se, de outras matérias na imprensa israelense, que embaixadores israelenses em pontos chaves já foram instruídos, com mensagens claras de que a situação no Egito pode ter “agudo” [orig. dire] impacto em Israel. A mensagem oficial alerta que Israel, portanto, não pode manter-se omissa, em momento em que a fragilidade do governo egípcio e a deterioração da economia exigem que o exército seja autorizado a restaurar a segurança no Egito [i.e., que Europa e EUA devem ajudar o exército nesse papel]. 

Fishman alerta que a reação antagonista dos EUA contra o golpe militar acabará por explodir sobre Israel. O modo incompetente como os EUA lidaram com a situação, diz Fishman, inflamou os dois lados na arena egípcia, gerando desejo vicioso de “ferir qualquer coisa que simbolize os EUA – o que inclui Israel”. A oposição liberal/secular, diz ele, já reúne assinaturas insistindo em que o Egito abandone os acordos de Camp David. 

Simultaneamente, Fishman sugere, o Egito aproxima-se – ou, como ele especula, talvez até já tenha ultrapassado – seu próprio “momento Síria” [o momento no qual protestos inicialmente administráveis converteram-se em conflito armado].  “Ninguém está falando sobre uma guerra civil no Egito. Os ganhos obtidos pelo exército egípcio contra a Fraternidade Muçulmana foram apenas táticos. Nenhum lado obteve vitória decisiva e hoje mal se seguram em suas posições.” 

“A previsão em Israel” – escreve Fishman – “é que o Egito está entrando em longo conflito interno de baixa intensidade (tumultos, terrorismo) que anuncia período de instabilidade continuada, durante o qual será impossível administrar adequadamente o país, não haverá investimentos externos e a indústria do turismo permanecerá paralisada. O resultado disso será uma situação de declínio econômico que piorará gradualmente, e o Egito ficará dependente do bolso dos regimes na Arábia Saudita e estados do Golfo Persa. Alimentar 85 milhões de bocas com doações por muito tempo não é solução que reabilite a economia egípcia e dê solidez ao atual regime.” 

Num segundo artigo, publicado dia 20 de agosto, sob o título “Eventualmente seremos engolidos”, Fishman associa especificamente o ‘massacre de 25 soldados das forças especiais do Egito, na véspera’, à decisão do Exército Egípcio de retirar suas forças especiais antiterrorismo do Sinai – temendo a possibilidade de um ataque no Canal de Suez. As Forças Especiais foram re-deslocadas para Port Said. 

Mais uma vez, Fishman lamenta o vácuo de segurança criado no Sinai, que foi imediatamente preenchido por jihadistas. A menos que o comando egípcio consiga conter rapidamente a situação, ele prevê que “o fogo se espalhará – não só na direção do que resta do Exército Egípcio no Sinai – mas também em direção da fronteira com Israel.”

Outra publicação importante essa semana em Israel foi uma entrevista com Ephraim Halevy, ex-diretor do Mossad, por Yossi Melman, publicada emSof Hashavua. Ecoa o tema de Fishman, de que se está abrindo uma ravina entre EUA e Israel: Dessa vez não é o Egito; diz respeito à possibilidade de uma implosão da credibilidade de Israel nos EUA, mas tem a ver com o Irã. 

Halevy, ex-diretor do Mossad e ex-Conselheiro de Segurança Nacional, aponta abertamente as contradições da política de Israel para o Irã: de um lado, Israel diz que as sanções não estão funcionando; mas insiste em mais sanções (enquanto os EUA supõem que as sanções ajudaram a modelar a agenda de Rowhani, como Halevy destaca). De modo semelhante, Israel diz agora que o presidente iraniano, que obteve mais de 50% dos votos, não importa, e que só o Supremo Líder fala na questão nuclear [posição contrária à de antes, quando Israel pintava o presidente Ahmadinejad como causa de todos os problemas]. 

“Mas”, pergunta Halevy, se Rowhani “é tão pouco importante”, como se diz agora em Israel, por que Israel tanto se empenha em demonizá-lo como “lobo em pele de cordeiro”? Na opinião de Halevy, ao adotar essa abordagem Israel se torna redundante nas negociações entre o Irã e o ocidente: “Israel basicamente diz, desde o início, que as negociações não são importantes e que os iranianos, não importa o que aconteça, não desistirão do programa nuclear, porque o programa nuclear sempre esteve nos interesses nacionais do Irã – já no tempo do Xá –, e portanto não faz diferença quem esteja no poder em Teerã”. E continua: “Portanto, negociações não fazem sentido, porque fracassarão sempre.” Halevy diz aqui, porém, que não é o que pensam os EUA – que não faz sentido negociar com Rowhani. E que Israel corre o risco de divergir e “perder os EUA nessa questão”: “Interessaria a Israel expor, nesse estágio inicial, antes mesmo do início de qualquer negociação, que há divergência entre nós e os EUA nosso aliado?” – pergunta Halevy, só retoricamente. 

Os dois artigos, duas manifestações de preocupação que se constata entre os israelenses, parecem relacionados a um certo ressentimento muito visível na imprensa em hebraico. O primeiro sinal de apreensão e ansiedade surgiu da declarada intenção da União Europeia de formalizar decisões anteriores sobre comércio com os Territórios Ocupados da Palestina. A imprensa israelense sugere que Netanyahu preocupa-se menos com a des-legitimação em si, que não ferirá tanto Israel, e, mais, porque qualquer deslegitimação enfraquecerá a posição de Netanyahu para mobilizar a União Europeia e os EUA em sua ‘cruzada’ a favor de ação militar contra o Irã.  

Outros israelenses têm preocupação diferente: o chamado “processo de paz” visava precisamente a ‘vacinar’ Israel contra movimentos do tipo “Boicote-Desinvestimento-Sanções” (BDS) (com o ‘processo’ apresentado como sacrossanto). Mas ali estava a União Europeia a agir na direção oposta, e no mesmo momento em que Kerry lançava sua iniciativa. O episódio parece sugerir, segundo outros israelenses, que o sistema imunológico israelense estaria enfraquecendo – e que já não estava operando com a eficácia de antes. E esse, de fato, é o tema, também, de Halevy.

Vários jornais israelenses têm sugerido que o principal objetivo de Netanyahu – talvez o único – para engajar-se no ‘processo de paz’ de Kerry é, precisamente, fortalecer a posição de Israel, para influir mais decisivamente no lobby contra o Irã – especialmente durante a fase de ‘pato manco’ de Obama, depois das eleições de meio de mandato de senadores e deputados, quando Netanyahu pode girar o ‘porrete’ de um “ataque israelense independente” com um pouco mais de credibilidade operacional. 

Mas Halevy diz que isso tampouco funcionará – pressupor, simploriamente, que bastaria Israel engajar-se num ‘processo de paz’, para adquirir legitimidade ‘imediata’ para ameaçar o Irã –, sobretudo porque os EUA, hoje, estão pensando de outro modo. A velha (inconsistente) retórica já não basta. Na entrevista que Kerry deu a Jeffrey Goldberg,[2] Kerry absolutamente não confirmou a eficácia da estratégia de ‘processo de paz’ de Netanyahu. Em vez de o ‘processo’ valer a Israel alguma recompensa e ‘licença’ mais ampla, Kerry disse o contrário – que se Israel não se entender com os palestinos terá de enfrentar a deslegitimação – e ainda acrescentou, para enfatizar, “deslegitimação reforçada com esteroides”. 

O que mais chocou o comentarista israelense é que Kerry omitiu todos os comentários considerados obrigatórios sobre os EUA manterem-se fiéis aos compromissos assumidos com a segurança de Israel etc., etc. Em resumo, Fishman fez, sutilmente, soar o alarme: a maioria dos israelenses podem estar maravilhados com a ascensão ao poder no Egito do “machado matador de Irmãos” (o general Sisi). Mas ninguém pode esquecer o quanto os amigos de Israel (Arábia Saudita, Egito e Jordânia) estão fragilizados nesse momento. E amigos fragilizados são amigos que rapidamente se tornam pouco confiáveis e até infiéis – sobretudo contra Israel – e num momento em que também se abrem ravinas profundas a separar aqueles mesmos amigos e os EUA. 

Kerry e a União Europeia parecem estar dizendo, isso sim, que Israel não pode continuar a contar com favores especiais – simplesmente por aceitar participar do ‘processo’. Alguma coisa está mudando. 


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Em Moçambique, Lula refere-se à eleição de Dilma como o ‘milagre’ que lhe deu ‘orgulho’



Em seu périplo africano, Lula fez nesta segunda-feira (19) uma palestra na cidade de Maputo, em Moçambique. Falou sobre a política social do seu governo. Na plateia, representantes de ONGs, gestores públicos, executivos de empresas e militantes da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique).
Evocando as diferenças que separam o Brasil de Moçambique, Lula preocupou-se em esclarecer que não era portador de uma receita pronta. “Tudo que eu falar aqui é em função da realidade econômica do Brasil, da realidade política e do potencial do Brasil”, disse.
Lula detalhou o funcionamento do Bolsa Família e, no melhor estilo “nunca antes na história”, deu a entender que, antes dele, o Brasil não sabia o que era investimento social. “Nós começamos a incluir os pobres no orçamento. O Bolsa Família, que atende 50 milhões de pessoas, custa apenas 0,5% do PIB brasileiro.”
Ao final da palestra, Lula referiu-se à vitória de Dilma Rousseff, na sucessão de 2010, como resultado de dois fenômenos: o êxito do seu governo e o auxílio do Padre Eterno. “Todos os sucessos do nosso governo resultaram em um milagre. O nosso país, com muito preconceito, elegeu pela primeira vez uma mulher para presidenta da República do Brasil. Foi a tarefa que me deu mais orgulho.”
Acrescnetou: “Os adversários falavam que ela era um poste, que não entendia nada de política. Pois bem, o nosso poste hoje está iluminando o Brasil.”
Lula foi apresentado ao auditório por Graça Machel. Vem a ser a atual mulher do líder sulafricano Nelson Mandela e viúva de Samora Machel (1933-1986) –um militar moçambicano que liderou uma revolução de inspiração socialista e presidiu Moçambique entre 1975 e 1986, ano em que morreu num acidente aéreo.
Graça (na foto) disse aos presentes que Lula é “símbolo […] de sucesso em uma sociedade desigual.” Ela açulou o ego do palestrante: “Nós vimos sua capacidade de tornar a sociedade menos desigual, de criar milhões de empregos, fazendo milhões de cidadãos saírem da pobreza, promovendo desenvolvimento e o fortalecimento da classe média.”

Israel “quase em pânico" (e não é metáfora)

Da série “O que diz Israel, quando fala prô seu próprio público”:
(Enviado por Sergio Caldiere)

30/8/2013, Conflicts Forum, “Comentário semanal” [excerto]http://www.conflictsforum.org/2013/conflicts-forums-weekly-comment-16-%E2%80%93-23-august-2013/

O evento mais significativo dessa semana foi, talvez, a publicação de um artigo em Israel. Foi escrito pelo principal analista militar israelense, Alex Fishman, e publicado em hebraico no jornal Yedioth Ahronoth no domingo. Foi atentamente lido na região e nos EUA,[1] sobretudo porque Fishman, muito respeitado, é o veterano correspondente militar desse jornal de grande circulação em Israel, conhecido pela qualidade de suas fontes.

Fishman diz, sem meias palavras, que Israel entrou numa situação de “emergência diplomática”: do primeiro-ministro para baixo, Israel combate “batalha diplomática desesperada” em Washington para desconstruir o antagonismo dos EUA contra Sisi e “os generais”. Essa caracterização de quase pânico, vinda de Fishman, não é metáfora nem “licença poética”. Vê-se, de outras matérias na imprensa israelense, que embaixadores israelenses em pontos chaves já foram instruídos, com mensagens claras de que a situação no Egito pode ter “agudo” [orig. dire] impacto em Israel. A mensagem oficial alerta que Israel, portanto, não pode manter-se omissa, em momento em que a fragilidade do governo egípcio e a deterioração da economia exigem que o exército seja autorizado a restaurar a segurança no Egito [i.e., que Europa e EUA devem ajudar o exército nesse papel]. 

Fishman alerta que a reação antagonista dos EUA contra o golpe militar acabará por explodir sobre Israel. O modo incompetente como os EUA lidaram com a situação, diz Fishman, inflamou os dois lados na arena egípcia, gerando desejo vicioso de “ferir qualquer coisa que simbolize os EUA – o que inclui Israel”. A oposição liberal/secular, diz ele, já reúne assinaturas insistindo em que o Egito abandone os acordos de Camp David. 

Simultaneamente, Fishman sugere, o Egito aproxima-se – ou, como ele especula, talvez até já tenha ultrapassado – seu próprio “momento Síria” [o momento no qual protestos inicialmente administráveis converteram-se em conflito armado].  “Ninguém está falando sobre uma guerra civil no Egito. Os ganhos obtidos pelo exército egípcio contra a Fraternidade Muçulmana foram apenas táticos. Nenhum lado obteve vitória decisiva e hoje mal se seguram em suas posições.” 

“A previsão em Israel” – escreve Fishman – “é que o Egito está entrando em longo conflito interno de baixa intensidade (tumultos, terrorismo) que anuncia período de instabilidade continuada, durante o qual será impossível administrar adequadamente o país, não haverá investimentos externos e a indústria do turismo permanecerá paralisada. O resultado disso será uma situação de declínio econômico que piorará gradualmente, e o Egito ficará dependente do bolso dos regimes na Arábia Saudita e estados do Golfo Persa. Alimentar 85 milhões de bocas com doações por muito tempo não é solução que reabilite a economia egípcia e dê solidez ao atual regime.” 

Num segundo artigo, publicado dia 20 de agosto, sob o título “Eventualmente seremos engolidos”, Fishman associa especificamente o ‘massacre de 25 soldados das forças especiais do Egito, na véspera’, à decisão do Exército Egípcio de retirar suas forças especiais antiterrorismo do Sinai – temendo a possibilidade de um ataque no Canal de Suez. As Forças Especiais foram re-deslocadas para Port Said. 

Mais uma vez, Fishman lamenta o vácuo de segurança criado no Sinai, que foi imediatamente preenchido por jihadistas. A menos que o comando egípcio consiga conter rapidamente a situação, ele prevê que “o fogo se espalhará – não só na direção do que resta do Exército Egípcio no Sinai – mas também em direção da fronteira com Israel.”

Outra publicação importante essa semana em Israel foi uma entrevista com Ephraim Halevy, ex-diretor do Mossad, por Yossi Melman, publicada emSof Hashavua. Ecoa o tema de Fishman, de que se está abrindo uma ravina entre EUA e Israel: Dessa vez não é o Egito; diz respeito à possibilidade de uma implosão da credibilidade de Israel nos EUA, mas tem a ver com o Irã. 

Halevy, ex-diretor do Mossad e ex-Conselheiro de Segurança Nacional, aponta abertamente as contradições da política de Israel para o Irã: de um lado, Israel diz que as sanções não estão funcionando; mas insiste em mais sanções (enquanto os EUA supõem que as sanções ajudaram a modelar a agenda de Rowhani, como Halevy destaca). De modo semelhante, Israel diz agora que o presidente iraniano, que obteve mais de 50% dos votos, não importa, e que só o Supremo Líder fala na questão nuclear [posição contrária à de antes, quando Israel pintava o presidente Ahmadinejad como causa de todos os problemas]. 

“Mas”, pergunta Halevy, se Rowhani “é tão pouco importante”, como se diz agora em Israel, por que Israel tanto se empenha em demonizá-lo como “lobo em pele de cordeiro”? Na opinião de Halevy, ao adotar essa abordagem Israel se torna redundante nas negociações entre o Irã e o ocidente: “Israel basicamente diz, desde o início, que as negociações não são importantes e que os iranianos, não importa o que aconteça, não desistirão do programa nuclear, porque o programa nuclear sempre esteve nos interesses nacionais do Irã – já no tempo do Xá –, e portanto não faz diferença quem esteja no poder em Teerã”. E continua: “Portanto, negociações não fazem sentido, porque fracassarão sempre.” Halevy diz aqui, porém, que não é o que pensam os EUA – que não faz sentido negociar com Rowhani. E que Israel corre o risco de divergir e “perder os EUA nessa questão”: “Interessaria a Israel expor, nesse estágio inicial, antes mesmo do início de qualquer negociação, que há divergência entre nós e os EUA nosso aliado?” – pergunta Halevy, só retoricamente. 

Os dois artigos, duas manifestações de preocupação que se constata entre os israelenses, parecem relacionados a um certo ressentimento muito visível na imprensa em hebraico. O primeiro sinal de apreensão e ansiedade surgiu da declarada intenção da União Europeia de formalizar decisões anteriores sobre comércio com os Territórios Ocupados da Palestina. A imprensa israelense sugere que Netanyahu preocupa-se menos com a des-legitimação em si, que não ferirá tanto Israel, e, mais, porque qualquer deslegitimação enfraquecerá a posição de Netanyahu para mobilizar a União Europeia e os EUA em sua ‘cruzada’ a favor de ação militar contra o Irã.  

Outros israelenses têm preocupação diferente: o chamado “processo de paz” visava precisamente a ‘vacinar’ Israel contra movimentos do tipo “Boicote-Desinvestimento-Sanções” (BDS) (com o ‘processo’ apresentado como sacrossanto). Mas ali estava a União Europeia a agir na direção oposta, e no mesmo momento em que Kerry lançava sua iniciativa. O episódio parece sugerir, segundo outros israelenses, que o sistema imunológico israelense estaria enfraquecendo – e que já não estava operando com a eficácia de antes. E esse, de fato, é o tema, também, de Halevy.

Vários jornais israelenses têm sugerido que o principal objetivo de Netanyahu – talvez o único – para engajar-se no ‘processo de paz’ de Kerry é, precisamente, fortalecer a posição de Israel, para influir mais decisivamente no lobby contra o Irã – especialmente durante a fase de ‘pato manco’ de Obama, depois das eleições de meio de mandato de senadores e deputados, quando Netanyahu pode girar o ‘porrete’ de um “ataque israelense independente” com um pouco mais de credibilidade operacional. 

Mas Halevy diz que isso tampouco funcionará – pressupor, simploriamente, que bastaria Israel engajar-se num ‘processo de paz’, para adquirir legitimidade ‘imediata’ para ameaçar o Irã –, sobretudo porque os EUA, hoje, estão pensando de outro modo. A velha (inconsistente) retórica já não basta. Na entrevista que Kerry deu a Jeffrey Goldberg,[2] Kerry absolutamente não confirmou a eficácia da estratégia de ‘processo de paz’ de Netanyahu. Em vez de o ‘processo’ valer a Israel alguma recompensa e ‘licença’ mais ampla, Kerry disse o contrário – que se Israel não se entender com os palestinos terá de enfrentar a deslegitimação – e ainda acrescentou, para enfatizar, “deslegitimação reforçada com esteroides”. 

O que mais chocou o comentarista israelense é que Kerry omitiu todos os comentários considerados obrigatórios sobre os EUA manterem-se fiéis aos compromissos assumidos com a segurança de Israel etc., etc. Em resumo, Fishman fez, sutilmente, soar o alarme: a maioria dos israelenses podem estar maravilhados com a ascensão ao poder no Egito do “machado matador de Irmãos” (o general Sisi). Mas ninguém pode esquecer o quanto os amigos de Israel (Arábia Saudita, Egito e Jordânia) estão fragilizados nesse momento. E amigos fragilizados são amigos que rapidamente se tornam pouco confiáveis e até infiéis – sobretudo contra Israel – e num momento em que também se abrem ravinas profundas a separar aqueles mesmos amigos e os EUA. 

Kerry e a União Europeia parecem estar dizendo, isso sim, que Israel não pode continuar a contar com favores especiais – simplesmente por aceitar participar do ‘processo’. Alguma coisa está mudando. 


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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Hulk ataca de super-herói e 'salva' Mano, mas Brasil não escapa de vaias



Novo atacante do Zenit entra no segundo tempo e faz o gol da vitória por 1 a 0 sobre a África do Sul. Técnico e Neymar são principais alvos da torcida
Por Alexandre Lozetti e Leandro CanônicoSão Paulo

Ele não teve uma crise de raiva, também não rasgou a camisa e muito menos ficou verde, mas foi, sim, o super-herói da tarde desta sexta-feira. Hulk, o atacante de R$ 141 milhões, talvez seja um dos nomes mais criticados na seleção brasileira de Mano Menezes, mas no amistoso contra a África do Sul, no estádio do Morumbi, ele compensou a sua convocação marcando o gol da vitória suada do Brasil por 1 a 0. O time pentacampeão mundial deixou o estádio sob vaias.
O triunfo, porém, não apaga uma tarde que a Seleção gostaria de esquecer. A pressão da torcida paulista no estádio do Morumbi foi enorme. Gigante também não seria nenhum exagero. É claro que Mano Menezes foi o alvo principal, mas sobrou até para Neymar, principal jogador brasileiro da atualidade, acusado de "pipoqueiro" e vaiado ao ser substituído já aos 44 do segundo tempo. Leandro Damião, então, jogou sob gritos de Luis Fabiano.
Talvez um dos únicos poupados pela torcida tenha sido Lucas, que teve uma atuação tão apagada quanto a dos seus demais companheiros. Mas quando ele foi substituído por Jonas, o clima esquentou para Mano. O técnico verde e amarelo foi chamado de burro e ouviu, assim como Dunga certa vez em Belo Horizonte, um "Adeus, Mano". O ambiente hostil melhorou um pouco após o gol, mas norteou a partida.
Passada essa turbulência em solo paulistano, a seleção brasileira embarca esta noite pro Recife, onde na segunda-feira, às 22h, encara a China, no estádio Arruda. A partida terá transmissão ao vivo da TV Globo, do Sportv e do GLOBOESPORTE.COM.
Capitão David Luiz comemora com Hulk o gol da vitória brasileira (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

Vaias para o Brasil, "olé" para os Bafana e "adeus, Mano"

A seleção brasileira estava preparada para jogar de amarelo, como de costume. Mas o uniforme da África do Sul, também verde e amarelo, forçou os donos da casa a entrarem em campo com a camisa azul - a de Marcelo estava rasgada, e teve que ser trocada (assim como a braçadeira de capitão de David Luiz, que foi substituída por uma fita adesiva). Por conta desse imprevisto, a partida atrasou mais de 15 minutos. Não foi isso, porém, que tirou a paciência do torcedor paulista no amistoso desta tarde. A pífia atuação da seleção brasileira foi a culpada.
Desde o hino nacional, ouvido com frieza pelos paulistas, o clima era de desconfiança. Com a bola rolando, esse ambiente só se confirmou. A cobrança, aliás, começou cedo. Bem cedo. Logo aos sete minutos, depois de tentativa frustrada de Leandro Damião dar passe de letra na intermediária, boa parte da torcida começou a gritar o nome de Luis Fabiano, atacante do São Paulo. A cena se repetiu aos 11 minutos.
Marcelo (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
Nesse mesmo minuto, por sinal, a África do Sul teve a melhor chance do jogo. Não fosse Diego Alves, os Bafana Bafana teriam aberto o placar. Gaxa recebeu na direita da grande área, avançou e bateu fraco. O goleiro do Valencia fez ótima defesa. Nervosos, os brasileiros apelaram para entradas mais duras. Tiveram de ser contidos com cartões amarelos, mostrados para Dedé e Marcelo.
A resposta da seleção brasileira ao bom momento da África do Sul foi em um raro lance de inspiração. Na verdade, em uma jogada de oportunismo. Aos 16, Neymar bateu falta cruzada para área e Dedé cabeceou forte. Khune fez grande defesa. Com seu quarteto ofensivo apagado (Oscar, Lucas, Neymar e Damião), o Brasil dependia do individualismo. Mas nem assim teve jeito. O primeiro tempo foi mesmo de irritar.

Tanto que aos 21 minutos, a paciência da torcida acabou, e a Seleção escutou sua primeiras vaias na partida. Em determinado momento, assim como aconteceu com Dunga em Belo Horizonte, na preparação para a Copa do Mundo de 2010, Mano Menezes ouviu "adeus", entoado por parte da torcida no Morumbi (escute no vídeo ao lado). Um minuto após as primeiras vaias, mais cobrança por conta de uma bola recuada para Diego Alves.
Nada insinuante, a Seleção voltou a levar perigo para África do Sul aos 42 minutos, quando Neymar finalizou após cruzamento da direita e consagrou o goleiro Khune, que defendeu com o peito. Já era tarde. Nesse momento quem contava com o apoio vindo das arquibancadas eram os Bafana Bafana. O toque de bola sul-africano era acompanhado de "olé" dos paulistanos. Para o Brasil, sonoras vaias após o apito final.
- A gente não tem que se preocupar com a torcida, a gente sabe que vai jogar aqui e eles vão cobrar. Temos de ter personalidade para jogar aqui, mesmo a torcida não nos dando apoio. Não podemos nos desesperar - disse Daniel Alves à TV Globo no intervalo.
Dia de super-heroi: Hulk garante a vitória

Quem não viu o começo de jogo e não percebeu que o Brasil estava jogando de azul, certamente deve ter torcido por engano pela África do Sul no começo do segundo tempo. Muito embora Lucas tenha começado a etapa final com boas jogadas individuais, o time sul-africano deu trabalho para a defesa brasileira. Faltou bem pouco, aliás, para que os Bafana não abrissem o marcador logo nos primeiros cinco minutos. Parker fez ótima jogada pela direita, deixou David Luiz para trás com lindo corte e cruzou. A bola só não encontrou o atacante do outro lado da área porque Dedé chegou em tempo de tirar a bola para escanteio. A pressão sul-africana serviu ao menos para dar um choque na seleção brasileira. Passado o sufoco, o time deixou a tática de lado e partiu para o individualismo. Primeiro com Oscar, depois com Lucas, mais adiante com Neymar e também com Damião. O quarteto, que Mano não quer que chamem de mágico, enfim, apareceu. Com toque de lado, muita firula e pouca objetividade, a pequena evolução da Seleção apenas iludiu o torcedor, que voltou a gritar o nome de Luis Fabiano no momento em que Mano Menezes colocou Hulk na vaga de Leandro Damião. Visivelmente abatido, o técnico da Seleção aproveitou uma parada no jogo e passou instruções a Neymar.
Neymar saiu sob os gritos de 'pipoqueiro' da torcida no Morumbi (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
Sem espaço, o craque do Santos parecia não estar em um dos seus melhores dias. Fato! Mas jogador decisivo muitas vezes surpreende, como Neymar mesmo fez ao bater falta aos 25 minutos e obrigar Khune a outra ótima defesa. Quando a torcida parecia começar a fazer as pazes com a Seleção no jogo, Mano sacou Lucas.

O meia-atacante do São Paulo, protagonista antes da partida, teve realmente atuação discreta. Mas a torcida não perdoou sua troca por Jonas e chamou Mano de "burro". Em seguida, repetiu o primeiro tempo, e gritou "Adeus, Mano". Mas se o anjo da guarda do técnico não estava presente, seu super-herói estava: Hulk. Em seu terceiro jogo oficial em solo brasileira (tinha feito dois pelo Vitória quando atuava no país), o atacante do Zenit, que o comprou do Porto por R$ 141 milhões, apareceu para dar a vitória à seleção brasileira. Depois de dar passe para David Luiz na esquerda, ele apareceu para pegar o rebote do chute e explodir o Morumbi aos 29. Melhor para Mano, para os jogadores e para a torcida, que compareceu em grande número (51.538 pessoas) ao amistoso contra a África do Sul. Já aos 44, o técnico tirou Neymar para a entrada de Arouca. O camisa 11 saiu sob os gritos de "pipoqueiro". Na próxima terça, será a vez de Recife receber a Seleção contra a China. Mais um teste para a popularidade do treinador e do craque em casa.
BRASIL 1 X 0 ÁFRICA DO SUL
Diego Alves; Daniel Alves, David Luiz, Dedé e Marcelo (Alex Sandro); Romulo (Paulinho), Ramires, Oscar e Lucas (Jonas); Neymar (Arouca) e Leandro Damião (Hulk). Khune, Gaxa, Sangweni, Khumalo e Masenamela; Dikgacoi, Furman (Mashego), Tshabalala e Serero (Maluleka); Ndlovu (Benni McCarthy, depois Parker) e Chabangu (Letsholonyane).
Técnico: Mano Menezes Técnico: Gordon Igesund
Gol: Hulk, aos 29 do segundo tempo.
Cartões amarelos: Dedé, Marcelo e Hulk (Brasil); Chabangu e Gaxa (África do Sul)
Data: 7/9/2012. Local: Morumbi, em São Paulo. Público: 51.538 pessoas. Renda: R$ 3.929.765,00. Árbitro: Nestor Pitana (Argentina). Auxiliares: Diego Bonfa e Gustavo Rossi (Argentina)
'salva' Mano, mas Brasil não escapa de vaias

Novo atacante do Zenit entra no segundo tempo e faz o gol da vitória por 1 a 0 sobre a África do Sul. Técnico e Neymar são principais alvos da torcida
Por Alexandre Lozetti e Leandro CanônicoSão Paulo

Ele não teve uma crise de raiva, também não rasgou a camisa e muito menos ficou verde, mas foi, sim, o super-herói da tarde desta sexta-feira. Hulk, o atacante de R$ 141 milhões, talvez seja um dos nomes mais criticados na seleção brasileira de Mano Menezes, mas no amistoso contra a África do Sul, no estádio do Morumbi, ele compensou a sua convocação marcando o gol da vitória suada do Brasil por 1 a 0. O time pentacampeão mundial deixou o estádio sob vaias.
O triunfo, porém, não apaga uma tarde que a Seleção gostaria de esquecer. A pressão da torcida paulista no estádio do Morumbi foi enorme. Gigante também não seria nenhum exagero. É claro que Mano Menezes foi o alvo principal, mas sobrou até para Neymar, principal jogador brasileiro da atualidade, acusado de "pipoqueiro" e vaiado ao ser substituído já aos 44 do segundo tempo. Leandro Damião, então, jogou sob gritos de Luis Fabiano.
Talvez um dos únicos poupados pela torcida tenha sido Lucas, que teve uma atuação tão apagada quanto a dos seus demais companheiros. Mas quando ele foi substituído por Jonas, o clima esquentou para Mano. O técnico verde e amarelo foi chamado de burro e ouviu, assim como Dunga certa vez em Belo Horizonte, um "Adeus, Mano". O ambiente hostil melhorou um pouco após o gol, mas norteou a partida.
Passada essa turbulência em solo paulistano, a seleção brasileira embarca esta noite pro Recife, onde na segunda-feira, às 22h, encara a China, no estádio Arruda. A partida terá transmissão ao vivo da TV Globo, do Sportv e do GLOBOESPORTE.COM.
Capitão David Luiz comemora com Hulk o gol da vitória brasileira (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

Vaias para o Brasil, "olé" para os Bafana e "adeus, Mano"

A seleção brasileira estava preparada para jogar de amarelo, como de costume. Mas o uniforme da África do Sul, também verde e amarelo, forçou os donos da casa a entrarem em campo com a camisa azul - a de Marcelo estava rasgada, e teve que ser trocada (assim como a braçadeira de capitão de David Luiz, que foi substituída por uma fita adesiva). Por conta desse imprevisto, a partida atrasou mais de 15 minutos. Não foi isso, porém, que tirou a paciência do torcedor paulista no amistoso desta tarde. A pífia atuação da seleção brasileira foi a culpada.
Desde o hino nacional, ouvido com frieza pelos paulistas, o clima era de desconfiança. Com a bola rolando, esse ambiente só se confirmou. A cobrança, aliás, começou cedo. Bem cedo. Logo aos sete minutos, depois de tentativa frustrada de Leandro Damião dar passe de letra na intermediária, boa parte da torcida começou a gritar o nome de Luis Fabiano, atacante do São Paulo. A cena se repetiu aos 11 minutos.
Marcelo (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
Nesse mesmo minuto, por sinal, a África do Sul teve a melhor chance do jogo. Não fosse Diego Alves, os Bafana Bafana teriam aberto o placar. Gaxa recebeu na direita da grande área, avançou e bateu fraco. O goleiro do Valencia fez ótima defesa. Nervosos, os brasileiros apelaram para entradas mais duras. Tiveram de ser contidos com cartões amarelos, mostrados para Dedé e Marcelo.
A resposta da seleção brasileira ao bom momento da África do Sul foi em um raro lance de inspiração. Na verdade, em uma jogada de oportunismo. Aos 16, Neymar bateu falta cruzada para área e Dedé cabeceou forte. Khune fez grande defesa. Com seu quarteto ofensivo apagado (Oscar, Lucas, Neymar e Damião), o Brasil dependia do individualismo. Mas nem assim teve jeito. O primeiro tempo foi mesmo de irritar.

Tanto que aos 21 minutos, a paciência da torcida acabou, e a Seleção escutou sua primeiras vaias na partida. Em determinado momento, assim como aconteceu com Dunga em Belo Horizonte, na preparação para a Copa do Mundo de 2010, Mano Menezes ouviu "adeus", entoado por parte da torcida no Morumbi (escute no vídeo ao lado). Um minuto após as primeiras vaias, mais cobrança por conta de uma bola recuada para Diego Alves.
Nada insinuante, a Seleção voltou a levar perigo para África do Sul aos 42 minutos, quando Neymar finalizou após cruzamento da direita e consagrou o goleiro Khune, que defendeu com o peito. Já era tarde. Nesse momento quem contava com o apoio vindo das arquibancadas eram os Bafana Bafana. O toque de bola sul-africano era acompanhado de "olé" dos paulistanos. Para o Brasil, sonoras vaias após o apito final.
- A gente não tem que se preocupar com a torcida, a gente sabe que vai jogar aqui e eles vão cobrar. Temos de ter personalidade para jogar aqui, mesmo a torcida não nos dando apoio. Não podemos nos desesperar - disse Daniel Alves à TV Globo no intervalo.
Dia de super-heroi: Hulk garante a vitória

Quem não viu o começo de jogo e não percebeu que o Brasil estava jogando de azul, certamente deve ter torcido por engano pela África do Sul no começo do segundo tempo. Muito embora Lucas tenha começado a etapa final com boas jogadas individuais, o time sul-africano deu trabalho para a defesa brasileira. Faltou bem pouco, aliás, para que os Bafana não abrissem o marcador logo nos primeiros cinco minutos. Parker fez ótima jogada pela direita, deixou David Luiz para trás com lindo corte e cruzou. A bola só não encontrou o atacante do outro lado da área porque Dedé chegou em tempo de tirar a bola para escanteio. A pressão sul-africana serviu ao menos para dar um choque na seleção brasileira. Passado o sufoco, o time deixou a tática de lado e partiu para o individualismo. Primeiro com Oscar, depois com Lucas, mais adiante com Neymar e também com Damião. O quarteto, que Mano não quer que chamem de mágico, enfim, apareceu. Com toque de lado, muita firula e pouca objetividade, a pequena evolução da Seleção apenas iludiu o torcedor, que voltou a gritar o nome de Luis Fabiano no momento em que Mano Menezes colocou Hulk na vaga de Leandro Damião. Visivelmente abatido, o técnico da Seleção aproveitou uma parada no jogo e passou instruções a Neymar.
Neymar saiu sob os gritos de 'pipoqueiro' da torcida no Morumbi (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
Sem espaço, o craque do Santos parecia não estar em um dos seus melhores dias. Fato! Mas jogador decisivo muitas vezes surpreende, como Neymar mesmo fez ao bater falta aos 25 minutos e obrigar Khune a outra ótima defesa. Quando a torcida parecia começar a fazer as pazes com a Seleção no jogo, Mano sacou Lucas.

O meia-atacante do São Paulo, protagonista antes da partida, teve realmente atuação discreta. Mas a torcida não perdoou sua troca por Jonas e chamou Mano de "burro". Em seguida, repetiu o primeiro tempo, e gritou "Adeus, Mano". Mas se o anjo da guarda do técnico não estava presente, seu super-herói estava: Hulk. Em seu terceiro jogo oficial em solo brasileira (tinha feito dois pelo Vitória quando atuava no país), o atacante do Zenit, que o comprou do Porto por R$ 141 milhões, apareceu para dar a vitória à seleção brasileira. Depois de dar passe para David Luiz na esquerda, ele apareceu para pegar o rebote do chute e explodir o Morumbi aos 29. Melhor para Mano, para os jogadores e para a torcida, que compareceu em grande número (51.538 pessoas) ao amistoso contra a África do Sul. Já aos 44, o técnico tirou Neymar para a entrada de Arouca. O camisa 11 saiu sob os gritos de "pipoqueiro". Na próxima terça, será a vez de Recife receber a Seleção contra a China. Mais um teste para a popularidade do treinador e do craque em casa.
BRASIL 1 X 0 ÁFRICA DO SUL
Diego Alves; Daniel Alves, David Luiz, Dedé e Marcelo (Alex Sandro); Romulo (Paulinho), Ramires, Oscar e Lucas (Jonas); Neymar (Arouca) e Leandro Damião (H

segunda-feira, 25 de junho de 2012